A falsa verdade
Esses dias assisti a "O homem bicentenário", um excelente filme que traz à tona questões existenciais e estuda a relação entre o real e o virtual, o humano e o animado. Não fiquei, nos dias posteriores, filosofando sobre os temas do filme, mas tive certeza que tais idéias iriam ficar se remoendo em mim sem que eu percebesse. Agora há pouco sim, realmente pensei nas questões do filme: em uma delas, e talvez a principal, um andróide dotado de consciência vai aos poucos se humanizando através da arte, dos estudos e da própria relação com os humanos, até que um dia encontra um pesquisador de seu modelo robótico que está prestes a abandonar as pesquisas, e, investindo em tal pesquisador, o andróide, com as tecnolodias obtidas, consegue um corpo humano perfeito e vai aprimorando-se mais e mais, cada vez menos máquina e mais humano; não contarei toda a estória, porém, direi que ele se casará com uma mulher [na realidade apenas irão morar juntos porque o casamento não foi consentido pela justiça].
O que mais me intriga foi o amor que Porscher sentia por Andrew, o bio-andróide. Isso me fez pensar em como, na realidade, vivemos em um mundo de aparência e às vezes deixamos a imanência [essência interior] de lado. Porscher, em nenhum momento, deixou de saber que Andrew era um andróide, mas ela regulou seu olhar para que destacasse a aparência e comportamento totalmente humanos dele; desse jeito ela criou uma fé, para crer que Andrew era humano, e assim pôde amá-lo. Talvez em alguns momentos tenha até se esquecido que ele não era humano, devido a essa fé.
É desse modo que costumamos disfarçar a verdade em busca de um ideal, mesmo que ele parta de uma mentira. Então preferimos uma paz fingida, por exemplo, como a Guerra Fria, a uma guerra declarada; preferimos a falsidade simpática e confortante de uma pessoa do que um conflito assumido, ainda que no profundo a substância seja a mesma. Por medo de perder? Por medo de magoar? Por medo da verdade? Por fé? Ou por achar que não existe verdade e mentira, e que tudo é apenas uma interpretação do mundo?
Páscoa
Não sou católico. Ou seja, a páscoa e o natal para mim tem uma importância cultural apenas, já que, acreditando ou não nas histórias bíblicas, são datas que fazem parte de nossa vida desde pequenos, e é uma tradição que vem se mantendo e há de se manter por muito tempo. E andei pensando como são importantes os símbolos dessas datas em nossa cultura. Será que páscoa ainda é páscoa sem um ovo de páscoa? Natal é natal sem peru e sem champagne? É lógico que não são todos que tem recursos para comprar ovos, peru, champagne: eu mesmo não costumo comer peru e nem ovos de páscoa, mas isso porque eu me acostumei. Faz parte do mundo fabuloso das crianças esses símbolos, porque para uma criança [e ela tem razão] o dia é igual a qualquer outro a não ser por ocasiões como encontros familiares, feriado e esses símbolos, que eu não tive em infância. É meu desejo, e hei de cumpri-lo, que meu filho sempre tenha ovos de páscoa a se esbaldar, receba presente no dia das crianças, presente no natal, faça um pedido no ano novo, pule todos os dias de carnaval, dance na quadrilha da festa junina e faça parte de tudo que é da nossa cultura brasileira, que nos dá sentido e identidade. Para uma criança uma páscoa não é páscoa sem um ovo.
Por que o metal? -----------------------------
Para responder essa pergunta, certamente devemos começar estabelecendo alguns conceitos. De todo tipo de música que a palavra "metal" puder trazer, dividirei a idéia em três partes: Neo-Metal, Metalzinho e Metal inteligente. Já digo que abandonarei os dois primeiros termos, o primeiro "neo-metal" porque não é metal, é um pop que tenta imitar: não tem as principais características sonoras do metal [mas isso não importa tanto porque o metal é flexível] e também porque se divulga na mesma mídia do popular: televisão, rádio e internet: O metal tem seu mundo próprio. Além disso, os metaleiros originais já conheciam o metal antes do neo-metal nascer, e rejeitam o neo-metal, e tem mais, geralmente quem gosta de neo-metal não conhece o metal verdadeiro, então não é metal, é outro estilo. O segundo termo [Metalzinho] é o tipo que não entende o verdadeiro poder de expressividade do metal: é o tipo de metal que existe apenas pelo peso e pela barulheira [e vocês, leigos, devem achar que isso é o metal], este não. Agora sim, o metal inteligente, que chamarei apenas de "metal" daqui pra frente. Posso então responder "Por que o metal?".
O metal é um dos estilos mais jovens no mundo, ou seja, ele carrega toda a bagagem musical dos anteriores. Além disso, o metal é mundial, e cada país insere nele sua cultura. Por esses dois motivos, o metal é um estilo flexível, que admite vários sub-estilos e várias ideologias. Ou seja, dentro do metal você vai encontrar de tudo, tudo mesmo. O metal pode expressar raiva, ódio, sede de vingança, com músicas pesadas. Pode expressar aventura, ação, com músicas velozes. Pode expressar amor e suavidade com músicas lentas, suaves e cheias de melodias. Portanto, o metal é um estilo universal onde se pode falar de tudo, tudo mesmo.
O metal é, por seu poder de expressão, o grito de liberdade da música.
Para exemplificar, conto-lhes que existem bandas que misturam metal com música clássica, metal com música celta, metal puro, metal com o progressivo, metal com música brasileira [ANGRA].
Se você realmente se interessou pelo metal e deseja entrar nesse mundo fascinante que você não sabia da existência antes, vou lhe dar algumas dicas e características para você ouvir e enfim, conhecer, decidir se te agrada:
* Rhapsody - The dark tower of abyss [metal com música clássica]
* Angra - Hunters and prey [metal com música brasileira]
* Rhapsody - The march of the swordmaster [metal com música celta]
* Dream Theater - Another Day [metal lento com rock suave]
* Angra - The shadow hunter [metal com flamenco]
* Stratovarius - Forever [metal lento, suave, romântico] <- duvido que não goste dessa
* Sonata Arctica - Full moon [metal puro, melódico e veloz]
Essas indicações estão longe de mostrar o que é metal, isso só se descobre sozinho, elas apenas mostram a flexibilidade do metal. São bem diferentes umas das outras. Se você gostar de algumas dessas bandas, entre no site:
http://whiplash.net e descubra mais.
Desejo sinceramente que você conheça o metal inteligente, goste, e se torne um de nós. De qualquer forma, ouça, aumente sua cultura e seu entendimento de música.
<---------- Aurora ---------->
Fazia tempo que eu precisava ver o dia nascer
E vi como se fossem meus olhos virgens
Ver o dia nascer não é apenas perceber a passagem
da noite pro dia, é deixar o dia me habitar
Entrar pelos meus olhos, ouvidos, boca, nariz
Por cada parte da minha pele
Até o mais profundo do meu ego
E deixar o dia despertar em mim mil sentimentos
Então escolho com quais viverei de hoje em diante
Porque o dia lá fora é exatamente o mesmo
Tanto é que a brisa e o aroma me lembram a infância
O lugar e a essência são iguais, só passou o tempo
Se alguma coisa mudar, vai mudar em mim
Porque o dia lá fora não muda
O novo dia está dentro de mim
O novo dia é de dentro pra fora.
Autor: Lucas Fernandes de la Fuente
Quando: 21/01/2005
<----------------- Outras épocas ----------------->
Esses dias peguei um tempo para assistir um capítulo de "Chiquititas", que está sendo reprisada na televisão, e que eu assistia com afinco há muitos anos. De início achei que seria um mero capítulo, sentei me em frente à televisão, acomodei-me, e esperei que o capítulo começasse. E começou, foi abrindo com o tema, e eu me lembrando da música, das imagens... Depois começaram as cenas, e eu notei como as meninas eram novinhas, e como a interpretação não era tão boa. Mas depois de um tempo minha atenção foi se prendendo mais e mais, e fui me lembrando melhor da estória, de todas as personagens. Quando vi, as meninas não eram mais tão novinhas, a interpretação era perfeita, e senti que eu era que estava sendo transportado para outras épocas. Fui me lembrando dos rostos, das vozes, dos pequenos detalhes, do que havia acontecido, do que estava por acontecer, e aquilo foi vindo de tal forma que me lembrei de tudo a que eu assistia na tv, e fui além, já estava me lembrando em volta, da estante, da parede, do quadro, mais em volta da minha mãe, da minha prima que assistia comigo, do sofá, e foi de uma vez que me voltaram os sentimentos puros daquela época, os sonhos, o modo de vida, os amores, todas as ternuras, senti até o cheiro de chuva, pois tinha sido um ano de muita água, e o cheiro da escola, o cheiro da vida. Imagine uma barragem quando rebenta. Foi assim. Aquilo me invadiu, e me levou, me levou aonde talvez inconscientemente eu desejava estar, e por isso deixei me levar; me trouxe sentimentos que hoje eu achava que fossem mentira, que não existissem. Me mostrou quanta coisa da nossa infância existe sim, e aquilo não foi uma farsa, aquilo está dentro de nós, dormindo tranquilamente, e a gente, com o passar dos anos, esquece que é possível acordar, e deixa-o dormir, dormir, dormir... Parece que depois de tanta coisa na nossa adolescência a gente aprende com o tempo, mas por que a gente não tomou a nossa infância como lição? De algo que vivemos, de algo que existiu, e que nos fez feliz. Por um momento acendi todas aquelas luzes da minha infância, e até senti que com elas o coração pulsou mais forte. Mas parece que essas luzes insistem em apagar. Quem sabe se eu não desistir, e estiver sempre acendendo-as eu não posso encontrar um caminho melhor para se viver?? Vou terminar com uma frase que um amigo meu me disse:
"Riem de mim porque sou diferente. Rio deles, porque são todos iguais".
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Sonhar é um mar de rosas, alcançar o sonho um caminho de pedras. Quem quer sonhar deve fechar os olhos, quem quer alcançar o sonho tem que ter os olhos bem abertos, bem atentos. Quem quer sonhar tem que respirar fundo e se aliviar. Quem quer alcançar o sonho tem que respirar fundo e partir para a luta. Quando uma pessoa sonha, ela se sente livre de sofrimentos e longe de ser afetada. Quando uma pessoa quer alcançar seus sonhos, ela tem que sofrer mesmo, estar disposta a ser afetada e perder parte daquilo que é seu, tem que estar disposta a se machucar e trilhar um caminho perigoso. Quem quer alcançar seu sonho tem que estar disposto a esperar, nem que seja muito tempo, e ter paciência, e também tem que saber manter a chama acesa, e nunca deixar que vento algum a diminua. Quem quer alcançar um sonho tem que acreditar, mesmo no impossível.
Um ano novo está aí, não deixe que ele passe à toa, a busca de um sonho é uma longa caminhada, mas mesmo as mais longas caminhadas começam com o primeiro passo, e o momento é agora.
Você quer ser feliz? (Schopenhauer)
Felicidade não existe. É como diz o nosso amigo Schopenhauer. Preste atenção nesse exemplo, e veja se você se identifica com ele: Imagine um estudante. O sonho dele é terminar a escola, porque a escola é um saco, e quando ele terminar a escola ele será feliz. Bom... ele vai para o cursinho, onde as coisas são diferentes, tem um ou dois dias felizes e percebe que a felicidade não estava ali. Ele pensa: "Quando eu entrar na faculdade eu vou ser feliz". E luta por isso. Persegue esse sonho. Quando ele finalmente consegue entrar na faculdade, ele tem em média um mês de felicidade, e já percebe que a felicidade não estava ali. "Quando eu me formar e arranjar um emprego eu vou ser feliz!!". Se forma, arranja um emprego, a felicidade não estava ali. "Um emprego melhor, aí sim, serei feliz". Consegue muitos empregos melhores durante a vida, e... não é feliz. "Quando eu me aposentar, serei feliz". Aposenta-se, não tem nada para fazer com o dinheiro, tudo está sem graça... E então, será feliz quando? Quando morrer?
O que estraga nossa felicidade é exatamente a busca da felicidade, estranho não é? Porque quando você busca a felicidade, ela foge de você. O segredo é curtir o caminho, saber curtir todas as fases da vida, todas as situações, as diversidades. Porque, se você também achar que a felicidade ficou para trás, quando você era criança ou jovem, vai passar o resto da vida sendo um saudosista depressivo. O segredo é não buscar a felicidade, saber reconhecê-la nas pequenas coisas, porque ela já está com você.
Enfim sós
Fim de ano. Festas, alegrias, desejos, sonhos. Lembranças de um ano que se foi e planos para um ano que virá. Porém, gostaria de pedir que você esquecesse esses conceitos enquanto lê esse texto. Deixe o coraçãozinho de lado. Quero falar muito sério com você.
Nem parece que se foram 365 dias, não é verdade? Um ano de esporte - as olimpíadas - e muitos acontecimentos mundiais importantes. Saindo dessa esfera mundial, vindo cá para a particular, eu gostaria de lhe perguntar como foi o seu ano. Você cresceu bastante? Adquiriu novas coisas, aprimorou seus conhecimentos, ganhou novos pontos de vista? Se sentiu feliz, encontrou quem você gostaria de encontrar? Sinceramente, isso não me importa, deve importar para você, mas saindo de dentro desse seu ego profundo, você ajudou muitas pessoas? Você deu uma esmola de 50 centavos que não lhe fariam faltam ou preferiu fingir que não viu alguém precisando? Você tentou lutar por um lugar mais justo e ajudar as pessoas da sua terra ou tirou-os da memória? Fingiu que estava tudo bem, que estava tudo lindo? Tentou esquecer as más notícias e lembrar-se somente das boas? Você cumpriu com os seus deveres como parte da família? Trouxe alegria para alguém? Deu um dia para seus pais, para ficar com eles, curtir um momento em família? Deu um momento para seus animais de estimação, ou simplesmente alimentou-os? O que você fez por você, o que você fez por quem precisa de você?
Bom, essas respostas devem estar badalando em sua cabeça, e não é do meu interesse sabê-las, não estou dizendo que sua atitude foi má nem boa, só estou te despertando para as questões reais da vida. Você deve saber e julgar como foi seu comportamento durante o ano.
Não se esqueça, o ano que virá vai trazer muita morte, guerras, guerrilhas, gente passando fome, governos corruptos, catástrofes naturais, desempregados, desencontros amorosos. Não, não diga que eu sou pessimista e que não é bom falar essas coisas, é assim que o ano será! E não é o ano que traz as coisas más, somos nós que as fazemos, o mundo somos nós.
Espero que você pense bem e melhore, se possível, seu modo de viver e pensar para o próximo ano, vai ser bom pra todo mundo! Beijos, até lá
Olá
Bem-vindos ao meu novo blog, que de novo só tem o visual e o nome, porque a nossa visão ainda está em direção a mil lugares que estão a milhas daqui, e só assim os horizontes poderão ser escolhidos. É normal que façam a relação "Ano novo, blog novo"... Mas não foi isso que aconteceu não, foram outros problemas, que não vêm ao caso. Bom, a seguir, republicarei minha última mensagem de 2004...
Um abraço, te espero aqui.